Com ou sem entrada inicial?
on Dec 15 in Pessoais, Sites, Webdesign tagged by Célia LeocádioEste post é resultado de um matutar longo. Embora ainda esteja a terminar alguns projectos já como recurso externo, é já de conhecimento de alguns que saí do projecto onde estava a trabalhar full-time, para me dedicar ao curso de ensino superior que me encontro a frequentar desde Outubro.
Mesmo a decisão de me candidatar já foi despoletada após um frisson inicial (que de inicial passou a constante, mas isto será um post futuro) com o “gestor de projectos” da empresa para onde entrei em Fevereiro.
Acrescentado a esse desgaste com um elemento da equipa, houve a descoberta de grandes e injustos desequilibrios salariais, mais uma vez, tambem relacionado com esse elemento e não só, o comercial era um “buda em ouro” mas clientes nem cheirá-los. Não quero lavar roupa suja, até porque eu não levanto ondas, simplesmente deixei de acreditar que o meu contributo se enquadrasse na filisofia e metodologia da equipa que faz aquela empresa, e quando assim é eu saio, e vou à procura de novos projectos. Neste caso o meu próximo projecto é investir na licenciatura e no trabalho como freelancer que é preciso para a chularia que são as propinas e outros gastos relacionados.
Já por duas vezes discuti com o director da empresa a abordagem ao cliente e à adjudicação das propostas e temos algumas divergências neste ponto. Das duas experiências como trabalhadora por conta de outrem como webdesigner tiro duas perspectivas diferentes. Na 1ª não havia grande gestão. Era eu sozinha que ia ao cliente, ou telefonava, e fazia o levantamento para o projecto, e era eu que fazia o site do principio ao fim, tive de aprender muita coisa, mas até gostava da independência. Só havia o director comercial e era ele que punha preço, e eu nunca soube qual, portanto nunca pude quantificar ou descortinar o valor hora ou do projecto. O mal maior era que ele prometia mundos e fundos ao cliente e não sabia dizer não, tudo podia ser feito, eu é que tinha de arranjar maneira de o fazer. Ele próprio não tinha a noção do tempo ou recurss que eram necessários para fazer as coisas.
Nesta 2ª experiência já havia um comercial, um “gestor de projectos”, os programadores, e um especialista em webmarketing, e eu fui contractada para “design”, só. Mas cedo se percebeu que eu tinha de fazer mais que isso, que eu tinha que levar as coisas de principio ao fim, para coisas mais simples eu dava conta do recado, ou andavamos a passar as coisas do design para a programação e as coisas ou levavam mais tempo ou quebravam.
Mas nesta empresa consegui quantificar o valor hora dos projectos e isso levou-me a discordar das abordagens e planeamentos. Isto porquê? Como freelancer já tive uns escaldachos, e cedo percebi que para o bem do meu trabalho e da minha saúde financeira não começo qualquer tarefa sem um pagamento de 40%, que serve entre outras coisas, para compra do dominio. E não foi nunca por esta razão que um cliente não adjudicou uma proposta. Se o cliente quer mesmo ir avante e é sério, o cliente avança com o valor inicial. Alguns até podem pagar três ou quatro vezes, mas paga. E a proposta é o mais descritiva possível para os desvios serem posteriormente acertados e cobrados. Disto não abdico, e é óbvio que quero que o cliente me recomende e fique satisfeito, mas se eu fôr condescendente e começar um projecto sem pagamento inicial ou não cobrar trabalho adicional à proposta inicial é completa burrice e faz de mim uma má gestora de mim própria.
Um levantamento inicial para a proposta é o ponto-chave anti-descarrilamento.
No ultimo projecto da minha agora ex-empresa o orçamento inicial previa cerca de 7 páginas, tinha um custo de xxx e esse valor descia cerca de 30% para cerca de 15 réplicas que “possivelmente” seriam feitas. Eu fiz o projecto de principio ao fim.
Ora bem, das 7 páginas iniciais, o projecto inicial foi feito em WordPress, mas depressa o cliente começou a enviar mail com pedidos adicionais e tive de refazer e expandir para joomla. Na minha perspectiva a proposta inicial seria o dobro, e à medida que o deadline se aproximava os mails e a urgência aumentavam (a urgência tb se paga) e a sorte é que eu tinha disponibilidade, mas se estivesse já com outra coisas em mãos como seria? E as horas foram-se acumulando e no total o valor inicial já tinha triplicado.
Confrontei o director e ele realmente insiste que quer ganhar os outros sites, e quer agradar ao máximo o cliente e fazer os outros 15 sites. A mim parece-me que os outros não serão réplicas, mas cada “sub-cliente” vai querer o site à sua maneira, o que vai implicar site à medida e o valor do orçamento é uma anedota, e atenção, se se chegarem a a concretizar, porque estas coisas às vezes morrem na praia. prometem mas depois inventam mil e uma desculpas.
E se a coisa se repete vai novamente ser um valor inicial de xxx€ que depois se revela um custo total de xxxx€
Neste caso o site foi finalizado e penso que não há ainda qualquer pagamento efectuado.
É um risco que a empresa corre e dizem-me que a minha postura é demasiado inflexível para ganhar e manter clientes, mas eu mantenho que um cliente sério não foge se fôr pedido um pagamento inicial e há que fazer vêr que há despesas iniciais.
Este projecto não foi o único assim, houve outro, em que o nome do cliente colocou logo grandes expectativas (o mundo do futebol) mas até agora só banhada, e claro que acredito que a maioria das empresas funcione assim, mas até que ponto não colocam em risco a sua saúde financeira e a dos seus colaboradores?
A minha maneira de pensar só se adequa a trabalho sem rede? Freelancers? Alguem concorda ou discorda?
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Acho que deste demasiadas dicas para “eles” passarem a fazer melhor as coisas.
Votos de bom trabalho com o teu novo cliente em regime de Freelancer!!!
A tua forma de pensar aplica-se tanto em freelancing como numa empresa. Qual é o negócio que mais portas vemos abrir e a fechar? É certamente o do webbuilder! E principalmente pelos problemas que apontaste, os patrões esquecem-se dos custos (água, luz, Internet, computadores, software).
Nunca concordei com o facto de uns trabalharem para a empresa pagar aos restantes colaboradores, todos tem (quase) obrigatoriamente de contribuir em percentagens iguais para o sucesso de um projecto e da empresa.
Concordo como é óbvio com um valor de adjudicação do projecto e com contrato/proposta o mais descriminado possível e felizmente a faca e o queijo ainda continua do lado da empresa/freelance que faz o site – não paga, fica sem site!
Bom trabalho!
Concordo. Sempre com pagamento inicial, no momento da adjudicação. Não sou inflexível porque com alguns – poucos – clientes já trabalhei sem esse pagamento, no entanto, é regra incluir isso nas propostas que faço.
Ter alguém que interage com o cliente e promete tudo sem saber o que está a dizer é, infelizmente, comum. Vivi esse problema, sei como é.
O que dizes é completamente verdade. A parte do valor inicial de adjudicação nem se discute, é uma realidade. Gostei principalmente dos pontos sobre os métodos de trabalho, em que o cliente, vai pedindo … pedindo … pedindo, mundos sem fundos.
Talvez para um próximo post fales mais sobre isso, como fazias para que um cliente não “abusasse” tanto dos pedidos e não construísse um palácio pelo valor de uma barraca.
Ja passei por isso.
E basicamente para o cliente nao ir pedindo mundo e fundos, estabeleço uma “tabela” de pendentes (eu uso o colabtive ) que o cliente vai preenchendo (ou eu por ele) e que serve de base á “relação” comercial. Ele indica o que quer e qual a prioridade que tem. Eu indico o tempo que leva. Em função disso ele pode alterar as prioridades do que quer ver feito.
Sei que não é ácil mas se fazes tu tudo entao tem de haver alguma “disciplina”.
Tem de haver sempre uma adjudicação não apenas pela saúde económica mas porque se o cliente pagar um valor inicial valorizará muito mais o compromisso que acaba por fazer.
Infelizmente muitas empresas não valorizam o trabalho de um web designer ou programador e cobram valores que não chegam a pagar sequer o salário de metade da equipa que irá trabalhar no site. Assim é complicado.
Por outro lado se o cliente pede a implementação ou alguma alteração que não estava prevista tem de ser fazer novo orçamento e planificação da nova estrutura isto leva tempo e dinheiro como é óbvio mas falando de valores o cliente fica logo de pé atrás.
Mas é como dizes, um cliente sério que quer mesmo algo não fica de pé atrás face a adjudicações ou ajustes orçamentais por extras que ele pediu.
Sempre defendi que o trabalho tem de ser valorizado mas cada mais vez vejo acontecer o contrário. Ainda existem excelentes empresas mas infelizmente muitas outras, especialmente as novas empresas que vão surgindo querem é bom e barato… assim não dá.
Bom, isto dava conversa para uma semana ou mais… :p
@Jorge Alves Obrigado pelo dica do collabtive!
Ainda tenho muito a dizer e este género de posts será mais comum daqui para diante. è que me parece que o meio empresarial às vezes, mesmo com bons recursos, tem os workflows e estratégias muito mal concebidas.
Pois eu pessoalmente concordo plenamente contigo, e “no money no play” ou algo assim do estilo. Como freelancer, 40% iniciais são o que costumo levar, mas sempre de uma forma flexível, claro, se fôr preciso repartir em 33% de cada vez também se chega lá.
Menos do que isso, prefiro dizer não, como já fiz algumas vezes.
No entanto, as relações de confiança vão-se construindo, e com diálogo e pessoais razoáveis tudo se resolve. Isto a nível de freelancer.
A nível empresarial, é melhor nem falar do assunto, há algumas empresas que não sei sequer como subsistem nos moldes em que existem…
Um artigo interessante para juntar a esta conversa Scope-Creeping http://en.wikipedia.org/wiki/Scope_creep